A hora estranha

“Elizabeth teve um ligeiro calafrio e ele voltou-se para ela. “Tens frio, querida? Vou buscar a manta dos cavalos, para te tapar os joelhos.” Ela tremeu outra vez, já não tão bem como da primeira, porque estava a fazer de propósito.

“Não tenho frio”, disse ela, “mas a hora é tão estranha. Gostava que falasses comigo. É uma hora perigosa.”

Ele pensou no bode. “Que queres dizer? Perigosa?” Agarrou-lhe nas mãos e pousou-as sobre os joelhos.

“Quero dizer que há o perigo de nos perdermos. É a luz a sumir-se. Pareceu-me de repente sentir que me espalhava e desvanecia como uma nuvem, misturando-me com tudo o que me rodeia. Sentia-me bem, Joseph. Depois passou o mocho; e tive medo de me misturar demasiadamente com os montes e nunca mais poder voltar a encontrar-me na pessoa de Elizabeth.

“É só a hora”, tranquilizou-a ele.”

[A Um Deus Desconhecido, John Steinbeck]

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