Archive for viagens

Ir para dentro, lá fora

Posted in acasos with tags , on September 17, 2014 by teresa

“Sigismundo Canastro vem de cumprir a sua obrigação, é só isso e nada mais. E como, apesar da gravidade dos passos a dar, tem seu tanto de malicioso e alegre, consoante neste relato já ficou demonstrado por mais de uma vez, foi passar à porta do posto da guarda e, vendo-a fechada e as luzes apagadas, chegou-se ao muro e mijou a seu prazer e regalo como se mijasse em cima de toda a corporação. São criancices de homem velho, já não lhe vai servindo a picha para muito mais, mas para isto ainda, este belo regueiro que procura caminho entre as pedras, quem me dera ter litros de urina para ficar aqui a mijar a noite inteira (…)”.

[Levantado do Chão, José Saramago]

Há escritores que são como lugares e que nos fazem sentir em casa onde quer que estejamos. Escreverem em português é essencial para mim. Posso gostar muito de outros escritores, mas nunca conseguirei dizer home e sentir a mesma familiaridade que encontro em lar. Algum humor e ironia também são necessários. Duvido que seja possível contar a natureza humana sem estes ingredientes. Saramago, até agora, nunca desiludiu.

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Xangai

Posted in acasos with tags , , on April 5, 2010 by teresa

Se nunca estiveram na China, eu diria que Xangai é uma boa cidade para começar a conhecer a cultura chinesa. Não que eu conheça muito mais do país – quando estive noutras cidades era tão nova que não sou capaz de comparar -, mas sei, pela visita de agora e pelo que me dizem, que Xangai é uma cidade através da qual é “fácil” entrar na China. Estive em Berlim em Agosto e dei por mim várias vezes a comparar as duas cidades. Xangai podia ser uma cidade ocidental qualquer, bastava trocar as pessoas na rua por outras com os olhos menos em bico, mais loiras e altas, e diria que estava em Berlim.

À primeira vista, as semelhanças são muitas. Os prédios podiam ser os de outra cidade ocidental qualquer, as ruas e as estações de metro têm todas um nome em inglês, pelo que não há qualquer problema de orientação. Para fazer compras, também não é preciso saber muito. Através de sinais facilmente se concretiza o acto. Nos pontos turísticos, há sempre alguém que fala um inglês com sotaque chinês (acreditem, é possível). Há vários restaurantes preparados para receber turistas, com menus em inglês ou com fotografias. Há muita informação para os turistas. Então agora, que a cidade se prepara para inaugurar, dentro de um mês, uma Expo.

Mesmo nestes sítios “ocidentais” dá para entrar no que é a China. A começar pelos preços, que escondem muita coisa. Uma refeição pode custar dois euros, e estou a falar de um prato bem servido e uma bebida. A roupa é um pouco mais cara, mas sempre muito mais barata do que encontramos por aqui. Se não formos para as grandes marcas – que aparentemente praticam os mesmos preços em todo o mundo – encontramos muita coisa em conta. E há uma infinidade de roupa na rua, no metro, centro comerciais subterrâneos enormes. Se quisermos, é só procurar. Muitos supermercados estão abertos até bastante tarde e parecem ter mais empregados do que aqueles que são precisos. Numa espécie de 7-eleven perto da pousada onde fiquei parecia que a cada hora que lá passava estava um empregado diferente. Num fast food tipo McDonald´s, mas de comida chinesa, havia tantos empregados para levantar as mesas que se podiam ver uns três ou quatro a um canto a conversar enquanto outros tantos davam conta do recado. Isto à hora do almoço. Deve ser barata a mão-de-obra, tal como tudo o resto.

A dificuldade em passear por Xangai vem quando queremos fugir ao básico. Se queremos sair das ruas principais. Entrar nas tascas deles, comunicar com eles, observá-los. Aí, há uma barreira previsível que dificilmente se ultrapassa. A língua. A maioria das pessoas não fala inglês, apesar de se mostrarem muito disponíveis para ajudar no que for preciso. Passei uma viagem de comboio de várias horas a ouvir uma senhora chinesa, dos seus quarenta anos, a tentar falar comigo, a fazer-me perguntas, a partilhar observações, conselhos, etc. Falava para mim como falava com a colega dela, com o mesmo ar, com o mesmo tom, com a mesma… língua. Nunca irei saber o que tentava ela dizer-me.

Mas, Xangai, como dizia, é uma boa cidade para começar a conhecer a cultura chinesa. Damos uns passos e logo encontramos uma zara, um starbucks ou uma pizza hut com empregados que falam “enghelish“. Nunca chegamos a estar verdadeiramente longo do nosso mundo.

Companhia de viagem

Posted in acasos with tags , on July 20, 2009 by teresa

Nice Book(mark)

“The last clear definite function of man – muscles aching to work, minds aching to create beyond the single need – this is man. To build a wall, to build a house, a dam, and in the wall and house and dam to put something of Manself, and to Manself take back something of the wall, the house, the dam; to take hard muscles from the lifting, to take the clear lines and form from conceiving. For man, unlike any other thing organic or inorganic in the universe, grows beyond his work, walks up the stairs of his concepts, emerges ahead of his accomplishments. (…) Fear the time when the bombs stop falling while the bombers live – for every bomb is proof that the spirit has not died. And fear the time when the strikes stop while the great owners live – for every little beaten strike is proof that the step is being taken. And this you can know – fear the time when Manself will not suffer and die for a concept, for this one quality is the foundation of Manself, and this one quality is man, distinctive in the universe.”

John Steinbeck, The Grapes of Wrath

Toronto

Posted in acasos with tags , , , , on December 15, 2008 by teresa

347 metros de altitude

Chegámos a Toronto a tempo de almoçar tarde e partimos depois de jantar num restaurante chamado “Lisboa à Noite”, onde não encontrei nada que me fizesse lembrar Lisboa. Comi carne de porco à portuguesa, enquanto ouvia alguém tocar num piano música de sala, irreconhecível para mim. O fim de tarde foi passado dentro da CN Tower, a admirar uma vista linda e a andar à roda e a subir e descer escadas (a minha sobrinha nunca está parada).

447 metros

A torre tem, ao todo, 553 metros, mas só se pode ir até aos 447. Mesmo assim, diz que é o observatório mais alto do mundo construído pelo Homem. A vista não tem nada a ver com a de Lisboa. Toronto é uma cidade (muito) plana. E cheia de prédios a perder de vista. Os mais altos estavam mais perto da torre (provavelmente a zona de serviços). O resto parece uma infinidade de pequenos edifícios de 2 ou 3 andares, misturados com uns grupos mais altos, muitas vivendas e alguns jardins.

ainda a 553 metros

Lá em cima, encontrei muitas pessoas que não se aproximavam do vidro. Encostavam-se contra a parede e davam uma volta ao andar panorâmico, meio a medo, para logo se voltarem para o elevador. Eu senti-me bem a observar dali o pôr-do-sol.

)E ela também não pareceu ter medo. As coisas que as crianças nos ensinam… Não há nada mais inocente, mais sensível (tão depressa irradiam felicidade como aparentam carregar a maior tristeza do mundo), mais genuíno.

Neve!

Posted in acasos with tags , , , on December 9, 2008 by teresa

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Isto era o que me esperava quando saía da porta de casa, quando estive lá do outro lado do Atlântico. Um belo passeio!

os vizinhos

Os vizinhos..

falta ali a pessoa no meio!

Sempre que olho para esta fotografia fico a pensar que falta alguém a passar ali na estrada…. mas eu e um outro senhor com quem me cruzei erámos os únicos a aproveitar para fazer uma caminhada por ali..

coisas de quem não está habituado à neve...

Coisas a que quem não está habituado à neve acha piada.. uma caixa de correio com… neve!!

os vizinhos do outro lado da ruaOs vizihos do outro lado da rua:)

Observatório de Borboletas – Cataratas do Niagara

Posted in acasos with tags , , , on December 3, 2008 by teresa

borboletas1

Como se forma uma borboleta?

borboletas2

Mesmo sem estes comedouros, aqui é fácil ver borboletas de várias formas e cores.. são cerca de 300 a voar à volta de um pequeno percurso de 180 metros.. Mas assim são mais fáceis de fotografar :)

borboletas3Esta borboleta azulinha é da mesma espécie das que estão na fotografia anterior.. mas a cor só se vê quando elas têm as asas abertas!

O observatório de borboletas é uma das poucas atracções das cataratas do niagara que estão abertas durante o Inverno. Isto se quem lá fôr estiver mais interessado na parte mais natural da coisa. Claro que o resto – casinos, hóteis, casas de terror (não sabia que eram assim tantas) – está aberto durante todo o ano. Também há o “passeio por trás das cataratas”, mas parece que fica bastante condicionado nesta altura.

Leitura de viagem

Posted in acasos with tags , on December 2, 2008 by teresa

almoço de avião

A voltar do outro lado do Atlântico escolhi um livro que me prometia revelar todos os podres da aviação.

“Do you know the best place to have sex on a plane? Do you know that one drink in the air equals three on the ground? Do you know who is checking you in? Who is checking you out? Do you know what happens to your luggage once it leaves your sight? Is it secure? Are you safe? Do you really know anything about the indsutry to which you entrust your life several times a year?”

Chama-se Air Babylon, e diz que é uma história de ficção, baseada em factos reais. É um livro light, giro, mas que não recomendo aos mais sensíveis. Fica aqui um excerto do segundo capítulo:

“You´d be amazed how often it happens. Not upgradign corpses, but airline deaths. It´s not a rare occurrence at all. In fact, it is so common that Singapore Airlines have just introduced a corpse cupboard into their new extra-long seventeen-hour Singapore to Los Angeles route. Some say there are so many air deaths because it is so stressful negotiating your way through an airport that by the time you actually make it to the plane your body is ready to collapse. Others, like Terry, think that it´s the conditions on the plane itself – the lack of space and fresh air, combined with the cabin pressure – that lead to the number of heart attacks and embolisms we witness. Either that or there are so many elderly people doing long-haul ´trips-of-a-lifetime´ to places like Australia when normally they barely get to the end of their street that some of them are bound to meet their maker before they touch down. Only the other day the BA208 from Miami had two deaths on the plane. The first was a grandmother who died of a heart attack, and the second was a man who more obscurely died of viral meningitis. Those seated next to him had to get written information on the virus before they were allowed to disembark.”

Uma boa maneira de começar uma viagem, não acham?