Archive for marrocos

Sahara – 26.Set

Posted in acasos with tags , on November 6, 2008 by teresa

o camelo "ruf ruf"

Foi uma viagem com guia, que milhares de turistas devem fazer todos os anos, que aquela gente deve fazer todos os dias e que por isso já deve saber o caminho de olhos fechados. Eles prometeram duas horas a andar de camelo, desde Zagora até à entrada do deserto. E à velocidade que o camelo andava, não me admirava se me dissessem que percorremos apenas uns 10 quilómetros. Mas aquelas duas horas foram… surreais. A noite caiu de repente, quando estávamos mesmo a sair da estrada e levantou-se uma tempestade de areia. Não víamos mais do que um metro à nossa volta e as rajadas de areia eram tão fortes que o lenço que me cobria a cara estava sempre a sair e a certa altura eu já não sabia muito bem o que fazer para evitar a areia nos olhos, na boca, no nariz. Durante aquela meia hora (será? pareceu muuuuito mais) ninguém disse nada. Seguíamos o nosso caminho, contando chegar a qualquer momento ao destino, um acampamento no “meio” do Sahara. Mas nunca mais chegávamos. E parecia que estávamos perdidos. Mesmo apesar de sabermos que aquele guia devia fazer a viagem todos os dias. Ele seguia o caminho, a pé, aparentemente indiferente à tempestade que nos atormentava a todos. Não se via nada, nada à nossa volta. Nem à volta, nem para cima, nem para baixo. Só areia. E o medo. Não me lembro de me ter sentido assim antes. Acho que nunca me tinha sentido tão perdida como me senti ali.

Hei-de lá voltar para combater essa estranha sensação…

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Marraquexe – 25.Set

Posted in acasos with tags , on October 29, 2008 by teresa

Marraquexe é o fim do dia e a praça Djeema El-Fna, quando o sol dá lugar a centenas de marroquinos que ali se juntam para uma espécie de feira de experiências. De um lado, montam-se as barraquinhas para jantar. Do outro, as pessoas vão-se juntando em círculos, à volta de um encantador de serpentes ou de um travesti que simula a dança do ventre. Raparigas, novas e velhas, sentam-se no chão aqui e ali. Escondidas por detrás das burkas, vão fazendo sinais discretos aos transeuntes, prometendo revelhar-lhes os segredos do futuro através das cartas. Grupos de homens mostram os seus dotes musicais, com violas, violinos e sapateados em caixas de metal. Miúdos expõem ao mundo o seu talento, de falsos lutadores de boxe ou de equilibristas rascos.

E depois há os contadores de histórias. As maiores rodas formam-se à volta dos contadores de histórias. Que pena não saber falar marroquino. Mesmo assim estes foram, para mim, a maior atracção da Praça. No meio daquela confusão, à volta do contador de histórias reinava o silêncio. Como se toda aquela feira de experiências não valesse nada perante a mais antiga e a mais simples forma de entretenimento, a imaginação.

Meknes e Fès – 23.Set

Posted in acasos with tags , on October 22, 2008 by teresa

Fès, até agora a cidade de Marrocos mais encantadora que visitámos. Por Meknes passámos depressa demais. Vimos uma praça grande, bonita, com muita variedade de comidas, música e livros e demos uma volta de coche pela cidade. À noite ainda deu para matarmos saudades da Feira Popular numa festa, onde andámos de carrinhos de choque (a Joana já não se lembrava que era tão violento:)).

Hoje, em Fès, é que vimos, pela primeira vez, como é uma Medina por dentro. A Medina de Fès é um autêntico labirinto, com cada rua nova esconder várias lojinhas minúsculas, mas onde cabe de tudo! Num cubículozinho há uma mercearia, na outra uma banca de fruta, um bocadinho mais à frente vemos seis pessoas enfiadas num quartinho muito mais pequeno que o meu quarto (que não é nada grande!) a fazer sapatos, ou a coser roupa, ou a trabalhar a madeira. As ruas são muito estreitas também. O suficiente para passarem duas a três pessoas lado a lado, que de vez em quando têm de se encostar para deixar passar as carroças puxadas por mulas.

Estas ruas não obedecem a nenhum traçado geométrico previsível, não são paralelas umas às outras, não são concêntricas. Andar lá dentro é um completo caos e nunca se sabe o que vamos encontrar. Numa rua vemos imensas lojas, noutra é uma escola, noutra uma medina.. O guia foi essencial, senão não teríamos visto metade dos sítios que vimos. Mesmo apesar de acreditar que eles devem receber qualquer coisinha para nos levar a certos sítios. Mas pareceu-me que é assim por Marrocos inteiro. O peditório é constante, seja por parte de crianças, vendedores ou supostos guias.

A mistura de pessoas, cheiros, comida, animais é algo que nos toma por completo. Durante cerca de quatro horas estivémos mergulhados nas ruas da medina quase apenas a observar tudo à nossa volta e só ao fim da tarde é que percebemos como é cansativa uma viagem destas.

Parecia que tínhamos regressado a uma feira da Idade Média. Todas as ruas estavam cheias de pessoas, de praticamente todas as idades. Uns nas compras, outros simplesmente a passear, miúdos que saíam das escolas. Praticamente não vimos turistas ali no meio.

É estranho, difícil, imaginar que há pessoas que são capazes de passar uma vida inteira no meio daquelas ruazinhas e becos. As mesmas por onde nós passámos umas horas, onde saciámos a nossa curiosidade do exótico. Passámos por bancas de peixe cheias de moscas, talhos que vendiam carne que não nos atreveríamos a comer, doces aparentemente abandonados aos bichos.

Cada lembrança que trazemos foi regateada (confesso que não sou muito experiente nessa arte, mas que também me aventuro!) até atingirmos um limite em que ficamos todos contentes, compradores e vendedores. Mesmo apesar de o preço nos parecer irrisoriamente barato. Já viemos todos bem ensinados pelos guias e amigos: em Marrocos, não se compra nada sem regatear. E por isso, cada compra é precedida por uma pequena (ou grande, depende da paciência e da eficácia na arte) discussão em que se chega a discutir diferenças de um e dois euros.

Realmente, sai-se da Europa para a Àfrica e para a Àsia para encontrar um mundo completamente diferente.

O rolo “pródigo”

Posted in acasos with tags , , on October 16, 2008 by teresa

Encontrei um dos rolos que, pensava eu, estava perdido para sempre… É que afinal tinha-o dado a um dos meus irmãos, pensando que era um rolo que tinha sobrado.. o resultado foram umas quantas fotografias super originais (claro, depois de feito o mal tem de se arranjar um nome giro para o desculpar), com uma mistura de lisboa e de marrocos…

Marrocos – parte das resistentes*

Posted in acasos with tags , , , on October 13, 2008 by teresa

Fès – no meio do mercado e da gente…

Fès – descobre as diferenças

Fès outra vez

Teleboutique – há uma em cada esquina

Na estrada..

Ainda na estrada..

Uma pausa no Médio Atlas.

*Nesta viagem decidi aventurar-me na fotografia analógica. Para isso levei uma máquina mais ou menos velhinha que tenho cá em casa e a minha lomo. Acontece que a “máquina mais ou menos velhinha” tem a patilha para puxar o rolo para trás estragada, por isso é difícil saber quando é que ele está pronto a ser retirado.. Resultado: dois rolos foram à vida:( MAS.. ainda bem que fui bem acompanhada e que os meus companheiros de viagem levaram cada um a sua máquina:) Já há mais fotos (e muito boas!!) por aqui.

Tanger – 21.Set

Posted in acasos with tags , on October 9, 2008 by teresa

Estou em Tanger, Marrocos, Àfrica, uma cidade meio muçulmana, meio não sei o quê. À primeira vista não é tão estranha como pensei que seria, nem tão apelativa. Também só cá estou há cinco horas.

As primeiras duas foram passadas a procurar sítios para dormir. Entrámos em três sítios que correspondem a três níveis de comodidade diferentes e acabámos por ficar no mais caro e com mais conforto, o que quer dizer camas aparentemente melhores, mais limpas, e casa-de-banho própria. A primeira noite desta aventura passamo-la em grande.

Tanger parece-me uma cidade demasiado parecida com qualquer outra cidade conhecida que viva do turismo. Na marginal, encostada a uma praia demasiado pequena para o meu gosto, encontramos vários bares típicos de qualquer praia, onde se podem comer pizzas e grelhados.

Do hotel onde estamos praticamente só se vê o Porto. A vista é bonita, mas falta qualquer coisa. Para já, falta-me ver a vida de Marrocos. As pessoas.

Ao jantar deu para conhecer a gastonomia local: cuscuz e tajines. Ambos bons. Gostei especialmente dos cuscuz, uma massa de farinha suave, com um sabor maravilhoso.

Até agora, pareceu-me haver uma grande desproporção entre o número de mulheres e homens na rua. Elas praticamente não se vêem, principalmente na parte velha da cidade, a medina. Na marginal ainda vimos algumas, a maioria vestidas com túnicas largas , que as cobrem do pescoço aos pés, o tradicional lenço na cabeça e muitas vezes ainda umas calças por baixo das túnicas, o que torna a maneira de vestir delas completamente diferente da da maioria dos homens que vimos. Eles vestem-se tal e qual um europeu: calças de ganga, corsários, t-shirts com desenhos modernos, camisas…

Também nos cruzámos com algumas mulheres que adaptavam a sua maneira de vestir ao estilo mais ocidental: com uma t-shirt mais justa por cima da túnica, por exemplo, ou utilizando uma túnica com padrões mais ousados, cores mais berrantes, tecidos brilhantes..

No fundo não parecem muito diferentes de nós. Não no sentido de serem melhores ou piores. Não procuro fazer julgamentos desses. Apenas diferentes.