Archive for lisboa

Prédio do Século XXII

Posted in acasos with tags , , on September 23, 2009 by teresa

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Passámos a ter “caixa de correio”.

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Aos Domingos, o Terreiro do Paço é das pessoas II

Posted in acasos with tags , , on July 5, 2009 by teresa

Restaurante fechado

Parte I

No bailarico

Posted in acasos with tags , , on June 21, 2009 by teresa

Ao fim de quase um mês com música pimba a entrar-me pela casa dentro, não resisti e fui espreitar o bailarico em baixo de minha casa.

“Vem sozinha?” – pergunta-me, meio intrigado, um dos empregados de mesa do “restaurante” montado com vista para a arena zona de dança. Fico com uma mesa, mesmo na primeira fila, onde posso observar indiscretamente a pista de dança. Isto, claro, se ninguém decidir encostar-se à pequena barreira que separa a minha mesa dos dançarinos.

Como não cresci no interior do país (já agora, nem em Portugal) esta coisa dos bailes fascina-me. A música é sempre a mesma (e é isso que as pessoas querem – este mês já ouvi 20 pessoas diferentes a cantarem os peitos da cabritinha) e o gosto, bem, fico-me pelo duvidoso, para não ferir susceptibilidades; quanto à dança, confesso que não sou fã de dançar, mas também não sou imune ao processo de socialização do país e o meu pé já quase que não consegue ficar parado quando começo a ouvir estas músicas; a comida – farturas, caldo verde, sardinhas, sangria -, essa sim, conquistou-me facilmente. Apesar de todos os meus amigos acharem o contrário – só porque não gosto de morangos nem de cozido à portuguesa -, eu acho que até sou um bom garfo.

Acabo por pedir caldo verde, sardinhas, salada e imperial, já que não se vende sangria a copo. O empregado ainda se oferece para beber o resto do jarro comigo, mas não para pagar a conta, por isso fico-me pela imperial.

São os pares que eu gosto de observar. O casal de meia-idade que dança como se a dança fosse a coisa mais séria do mundo, colados agarrados um ao outro, rígidos, olhando em frente, concentradíssimos naquilo que estão a fazer. Não falam um com o outro, trocam de vez em quando uma palavra ou outra, mas a expressão nunca se altera. Como se estivessem a jogar ao sério ou qualquer coisa assim. Uns, vê-se, são mais experientes e conseguem acompanhar mais ou menos o ritmo da música, e acompanhar-se um ao outro. Noutros, notamos que um deles (normalmente o homem) está literalmente a ser arrastado pela pista pelo outro, tentando abanar-se o suficiente para que não digam que não está a dançar.

As sardinhas chegam pelas mãos do “meu amigo”, que vem a dançar e a cantar. A banda até parece bastante animada, para o género, e têm um reportório bastante alargado – tocaram o “tenho la camisa negra”, uma kizombada qualquer que também tem sido muito popular nos últimos dias, e até um fado qualquer sobre lisboa. Até fizeram uma “maluqueira” (segundo eles): puseram duas cadeiras no meio da pista e sentaram-se lá no meio da pista a cantar uma música espanhola que se chama “vagabundo” e que é uma das preferidas do vocalista.

Para além dos casais na pista, há também os pares de senhoras, cujos maridos, se os tiverem, serão provavelmente algum membro da assistência apática que observa os dançarinos profissionais. Há as famílias, encostadas aos cantos da zona de dança, que utilizam as crianças para dançarem, e ainda há os teenagers. Cheios de estilo, bem lisboetas, atravessam a pista de dança como quem atravessa a passadeira vermelha dos óscares, sempre com muita pausa. Até quando estão afastados a observar o baile, fazem-no com estilo. Eles nem gostam muito daquilo, estão ali porque … bem, porque sim.

Há uma senhora na pista que me chama a atenção. Está sozinha, guardou um canto da pista, em frente ao palco, onde só ela é que dança. Tem um vestido comprido em tons verdes e amarelos, que lhe vai até aos pés, e umas sandálias de pele castanha clara. Parece não pertencer ao meio. Tanto podia estar ali como numa ópera qualquer do Teatro São Carlos. Pergunto-me porque estará ali. Será que a música também a chamou da janela de sua casa? Havia outras pessoas a dançarem sozinhas, mas que de vez em quando lá se vinham juntar aos grupos de amigos à volta do baile. Ela não. Ali ficou, grande parte da noite, sozinha, dançando à sua maneira, ensaiando novos passos, diferentes dos dos outros à volta dela.

Acabei as minhas quatro sardinhas e a salada embebida em vinagre, bebi o último gole da imperial – gosto de guardar sempre um resto da bebida para o fim -, e pedi a conta. O amigo diz-me para “estar à vontade”, mas como no dia seguinte entro cedo, o melhor é voltar para casa. A conta – inflacionada pelo calor de junho – vem acompanhada de um número de telefone, para quando eu quiser “ir bailar”.

Aos Domingos, o Terreiro do Paço é das pessoas

Posted in acasos with tags , , on June 7, 2009 by teresa

Terreiro do Paço

O processo de apropriação de uma cidade

Posted in acasos with tags on March 9, 2009 by teresa

Cheguei cá há quase 9 anos, no início de Agosto de 2000. vinha “de vez” e contrariada, triste por trocar macau por portugal, um dos meus destinos preferidos… de férias. a casa nem me parecia habitável por mais do que um mês, tão habituada que estava a passar aqui um verão de três em três anos.

portugal era, para mim, o areal infinito das praias de são joão, na costa da caparica, com as filas incríveis para lá chegar, as línguas da sogra com areia, as bolas de berlim, os pregões dos vendedores.. era a casa dos meus avós cheia de primos que voltava a conhecer cada vez que cá vinha, a sopa em tigelas de plástico, a sobremesa que a minha avó me mandava ir buscar ao frigorífico, a figura respeitável do meu avô, que normalmente estava rodeado dos tios ou dos primos “mais crescidos”, e que nos recebia sempre com um sorriso do tamanho da alma. Um país inteiro reduzido a isto: a costa da caparica e a casa dos meus avós. e na altura isto parecia-me tão suficiente.

Lisboa e Macau têm em comum uma coisa: o programa oficial da escola portuguesa. Em tudo o resto são tão diferentes: as dimensões, a cultura, as pessoas. Durante os primeiros anos em que cá estive fui-me adaptando à nova realidade: a andar de metro, a desconfiar de tudo e mais alguma coisa, à insegurança, a ver o português em todo o lado, na televisão, nos livros, nas conversas do lado, nas publicidades, habituei-me aos grandes supermercados e às grandes superfícies, à bershka e à pull and bear, ao sol de lisboa, ao pato à pequim.

Depois de saber o básico é que comecei a conhecer Lisboa. A perceber que para ir ao saldanha é muito mais rápido sair na alameda e fazer o resto do percurso a pé. A tornar-me fã do pão com chouriço da merendeira (eu, que nem gostava de chouriço). A conhecer o percurso do autocarro da madrugada. A ir ao nimas e ao cinema são jorge. A evitar os centros comerciais. A visitar o museu nacional de arte antiga e a subir ao topo do panteão nacional. A trocar o pato à pequim pelo “cha siu” do chinês de alcântara. A gostar de andar pela cidade.

Foram precisos sete santos antónios para entrar em alfama e não sei quantos mais serão precisos para conseguir subir ao castelo na noite de 12 de junho. Mesmo sem o ter feito, hoje, passados quase nove anos de viver aqui, consigo dizer que Lisboa também é minha.

voltar

Posted in acasos with tags , , on November 26, 2008 by teresa

Depois de 11 dias do outro lado do oceano (pela primeira vez), estou de volta. nunca pensei que fosse ter tantas saudades de falar português e de lisboa. e olhem que o sítio onde estive é lindo (prometo fotografias, mas como agora substituí os cartões de memória por rolos reais, demora mais tempo.. além disso, ainda há uma lista de espera antes destas:)).

Não há paciência…

Posted in acasos with tags , , on November 7, 2008 by teresa

…para as idas e vindas de Santana Lopes.