Archive for bola de neve

O efeito bola de neve ou como uma simples válvula pode influenciar o teu dia

Posted in acasos with tags , on November 3, 2008 by teresa

Tudo começou com uma válvula. Uma pequenina válvula do pneu. Embora eu não o soubesse. Confesso que em termos de mecânica, sei apenas aquilo que me permite conduzir e, de resto, rendo-me completamente ao que os outros me dizem!

Então, lá estava eu, com um pneu furado (julgava eu). Troquei-o (com ajuda :)) e lá fui direitinha ao mecânico para ele me resolver a situação “num instante”. Afinal, o carro não era meu e por isso não convinha devolvê-lo com o pneu suplente posto e um furado no porta-bagagens.

Cheguei à garagem e parei o carro atrás de um jipe com um gancho de reboque nas traseiras. E esperei. Até que de repente o condutor do jipe engata a marcha-atrás e… bate-me no carro. Resultado: chapa da matrícula toda dobrada. Como se não chegasse, o condutor decide fingir que não foi nada e prepara-se para se ir embora. Lá me ponho em frente ao jipe e faço aquele ar “então, pá, isto é assim???????”, para não dizer outra coisa. O dia corria muito bem!

O senhor lá repara na matrícula, pergunta o que é que eu quero fazer. “Quero ter a matrícula como ela estava”. “Ah, é só uma coisinha de nada”. “Ah, não é não” (ela estava mesmo toda torta). Então ele começa a explicar-me que tem uma loja de mobília não sei onde e que eu podia ir lá depois de sair dali para ele me arranjar uma matrícula nova. E eu, que tinha acordado às 4h30 da manhã e já deviam ser 15h30 e por isso estava a começar a ficar sem paciência, disse que não tinha nada de estar a andar de um lado para o outro por causa de uma coisa de que eu não tinha culpa e se ele não podia resolver tudo já ali naquela garagem. Ele decidiu que não e prometeu voltar com a matrícula nova dali a meia hora.

Por mim tudo bem, pensei. Resolvo aqui o problema do pneu, com sorte ainda dá para fazer um remendo e depois tenho a matrícula nova.

Passados 15 minutos vim a saber que afinal o pneu furado era só um problema da válvula. E cinco minutos depois soube que era melhor trocar dois pneus na mesma, porque aqueles já estavam um bocado “carecas”. Ok. Dois pneus. Eu já tinha considerado esta hipótese mesmo e a dona do carro concordado com ela.

Meia hora depois de ter entrado na garagem, estavam a trocar os pneus ao carro (que não é assim tão simples nem assim tão rápido como eu pensava) e estava o senhor da chapa da matrícula de volta. Vinha com uma matrícula na mão, mas não a minha. Era só para comparar se as letras eram iguais àquelas. Ok, não me safo daqui hoje, foi o que eu pensei. Um dos senhores da garagem lá decidiu tirar a matrícula do meu carro, dar umas marteladas e pronto, disfarçar o vinco que lá ficou. Ok, por mim tudo bem, não é por causa disto que me vou chatear. O homem do jipe ficou contente, foi-se embora, com promessas de que se um dia precissasse de alguma coisa podia passar pela loja dele (não em termos de compras, mas em termos de problemas com carros, disse).

Depois de mudar os pneus, o mecânico chamou-me e perguntou se era para alinhar a direcção. E eu, que percebo tanto destas coisas, perguntei o que é que ele achava melhor. Ele respondeu “Bem, como o carro já devia ter ido à inspecção o mês passado, e é melhor levá-lo brevemente porque se for apanhado pode levar uma multa de 250 euros, acho que é melhor alinhar a direcção”. E eu, pronto, rendi-me. O carro devia ter ido à inspecção o mês passado? Ah…

Depois de mais não sei quantos minutos (muitos), estava a direcção alinhada, e vem outro mecânico ter comigo.. “Olhe, já agora, não quer trocar uma luz de trás, que lhe falta?”.. Uma luz de trás? Ao pé do resto que tinha feito, uma luz de trás não é nada. Claro, mude! Está bem. E afinal não era só uma luz de trás, mas também umas quantas da frente, porque, ao que parece, eu andava às escuras, só com um médio.

E pronto. Foi assim que uma simples válvula veio a transformar completamente o meu dia e que eu saí da garagem com carrinho a saber a novo, apesar de saber que “um carrinho” leva muito mais do que aquelas coisas. Tudo começou com uma válvula.