Sahara – 26.Set

o camelo "ruf ruf"

Foi uma viagem com guia, que milhares de turistas devem fazer todos os anos, que aquela gente deve fazer todos os dias e que por isso já deve saber o caminho de olhos fechados. Eles prometeram duas horas a andar de camelo, desde Zagora até à entrada do deserto. E à velocidade que o camelo andava, não me admirava se me dissessem que percorremos apenas uns 10 quilómetros. Mas aquelas duas horas foram… surreais. A noite caiu de repente, quando estávamos mesmo a sair da estrada e levantou-se uma tempestade de areia. Não víamos mais do que um metro à nossa volta e as rajadas de areia eram tão fortes que o lenço que me cobria a cara estava sempre a sair e a certa altura eu já não sabia muito bem o que fazer para evitar a areia nos olhos, na boca, no nariz. Durante aquela meia hora (será? pareceu muuuuito mais) ninguém disse nada. Seguíamos o nosso caminho, contando chegar a qualquer momento ao destino, um acampamento no “meio” do Sahara. Mas nunca mais chegávamos. E parecia que estávamos perdidos. Mesmo apesar de sabermos que aquele guia devia fazer a viagem todos os dias. Ele seguia o caminho, a pé, aparentemente indiferente à tempestade que nos atormentava a todos. Não se via nada, nada à nossa volta. Nem à volta, nem para cima, nem para baixo. Só areia. E o medo. Não me lembro de me ter sentido assim antes. Acho que nunca me tinha sentido tão perdida como me senti ali.

Hei-de lá voltar para combater essa estranha sensação…

3 Responses to “Sahara – 26.Set”

  1. manu hell Says:

    tbm quero!

  2. porquê camelo ruf ruf ? :)

  3. manu hell: vai trabalhar mas é:D

    ricardo: era o nome dele mesmo.. hehe por acaso lembro-me do nome do camelo, mas não me consigo lembrar do significado!!

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