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Um passeio de gôndola dentro de uma “piscina” dentro do maior casino do mundo, onde se pretende recriar o ambiente da cidade italiana de veneza. não é o convite mais apelativo, e ao fim de um dia inteiro de trabalho. mas é obrigatório entrar naquele casino para conhecer macau.
nos últimos anos, o número de casinos cresceu exponencialmente, com o fim do monopólio do jogo em 2000. o número de casinos a abrir é tanto que as próprias autoridades não sabem muito bem quantos são. há sempre um novo casino a abrir e muitos mais a serem construídos. as maiores cadeias do mundo apareceram todas lá, renovaram os antigos hoteis ou simplesmente construíram novos. em cada esquina há um casino, tal como uma casa de penhores, não vá o dinheiro faltar no momento de sorte.
o condutor da gôndola é filipino mas italiano, como ele próprio me disse logo no inicío do passeio. nasceu em itália, diz-me. ah.. e fala italiano? sim, e CANTA em italiano. o passeio demora 15 minutos, diz-me, mas se eu estiver com pressa pode demorar menos. estou. a gôndola anda então um pouco mais rápido naquele percurso minúsculo que a separa da praça de são marcos fictícia. ao longo do caminho, o céu é sempre de um azul clarinho, com uma ou outra nuvemzinha. na terra do jogo o céu é sempre quase limpo. chegada à praça, o filipino italiano diz-me que vai cantar uma canção de amor da terra dele – entenda-se a itália, claro – chamada “volare”. e estica os braços para me explicar o significado da palavra. canta, alto e a bom som, a cancione italiana. nas ruas do centro comercial as pessoas param e olham para esta estranha encenação. parecem gostar. e eu admito que tem a sua beleza. vale tudo para se ser excêntrico. mesmo que esta “piscina” tenha apenas 3 metros de largura e se a percorra a pé em 5 minutos.
então, viveu em itália?, pergunto. sim. quanto tempo? quando era pequeno. fala italiano? sim. mas quanto tempo lá viveu? ah, já foi há muito tempo. mas gostava daquilo? tinha três anos, não me lembro de nada.
é isto macau. um misto improvável de gentes, culturas, línguas vindas de todo o lado do mundo. é também a cidade dos casinos. e um dia foi uma terra portuguesa. percebe-se pelas placas com o nome das ruas, pelas lojas com nome portuguÊs, mesmo que em português aquelas palavras não tenham significado nenhum. percebe-se pela baixa com a calçada portuguesa e pelas fachadas de alguns edifícios aqui e ali. percebem, os olhares mais atentos, que há uns restaurantes de comida macense aqui e ali, com traços de comida portuguesa, indiana, malaia, chinesa e todo um mundo de culturas que se juntou para formar aqueles pratos únicos e não menos maravilhosos do que os originais.
ainda se mantém muito do português, é verdade. mas não se pense que aquela é uma terra portuguesa porque nunca o foi. nem portuguesa, nem chinesa. macaense. e o que é isso? é a mais improvável mistura de culturas ocidental e oriental que podia acontecer, mas ali está. igualzinha há que era há 10 anos atrás, quando ainda era território português. mesmo apesar da nova máscara como “las vegas” da china. mesmo apesar desta máscara garantir cerca de 90% do comércio do território. mesmo assim e apesar disso. macau continua igual.

Um passeio de gôndola numa piscina dentro de um centro comercial gigante que pertence ao maior casino do mundo, onde se pretende recriar o ambiente da cidade italiana de veneza. não é o convite mais apelativo, ainda por cima ao fim de um dia inteiro de trabalho. mas é obrigatório entrar naquele casino para conhecer macau.
nos últimos anos, o número de casinos cresceu exponencialmente, com o fim do monopólio do jogo. o número de casinos na cidade varia tanto que as próprias autoridades não sabem muito bem quantos são. há sempre um novo e muitos mais a serem imaginados, projectados, construídos. as maiores cadeias do mundo estão lá, renovaram os antigos hotéis ou simplesmente construíram novos. em cada esquina há um casino, tal como uma casa de penhores, não vá o dinheiro faltar no momento de sorte.
o condutor da gôndola diz-me que é “filipino italiano”. nasceu em itália. ah.. e fala italiano? sim, e até canta em italiano. o passeio demora 15 minutos, mas se eu estiver com pressa pode demorar menos. estou. a gôndola anda então um pouco mais rápido naquele percurso minúsculo que a separa da praça de são marcos fictícia. ao longo do caminho, o céu é sempre de um azul clarinho, com uma ou outra nuvemzinha. nada de especial, claro, na terra do jogo o céu é sempre quase limpo. chegados à praça, o filipino italiano anuncia que vai cantar una canzone de amor da terra dele – a itália, claro – chamada “volare”. e estica os braços para me explicar o significado da palavra. e começa a cantar, bem alto. nas ruas do centro comercial as pessoas param e olham para esta estranha encenação. parecem gostar. e eu admito que tem a sua beleza. vale tudo para se ser excêntrico. mesmo que esta “piscina” tenha apenas 3 metros de largura e a percorremos a pé em 5 minutos.
então, viveu em itália?, pergunto. sim. quanto tempo? quando era pequeno. fala italiano? sim. mas quanto tempo lá viveu? ah, já foi há muito tempo. mas gostava daquilo? tinha três anos quando saí de lá, não me lembro de nada.
é isto macau. um misto de gentes, culturas, línguas vindas de todo o lado do mundo. é também a cidade dos casinos. das ilusões. e um dia foi uma terra portuguesa. percebe-se pelas placas com o nome das ruas, pelas lojas com nome português, mesmo que em português aquelas palavras não tenham significado nenhum. percebe-se pela baixa com a calçada portuguesa e pelas fachadas de alguns edifícios aqui e ali. percebem, os olhares mais atentos, que há uns restaurantes de comida macense, com traços de comida portuguesa, indiana, malaia, chinesa e de todo o mundo.
macau é a mais improvável mistura das culturas ocidental e oriental que podia acontecer, mas, lá está, e promete continuar a crescer nos próximos tempos.
