Lucky you

Posted in acasos with tags , on January 20, 2010 by teresa

A sorte é um factor decisivo em muitas fases da nossa vida. É como num jogo de ténis, quando a bola bate na rede. Naqueles milésimos de segundo, a nossa respiração pára. Tentamos adivinhar de que lado a bola vai cair. Ponto nosso ou do adversário? Durante aqueles breves instantes esquecemos todas as regras da física ou qualquer pensamento racional e apelamos à sorte. Aquela instância supostamente aleatória, mas que queremos viciar em nosso favor. Acreditamos que temos sorte porque merecemos. E, às vezes, acreditamos que ela é a única explicação racional para certos acontecimentos.

Ando a ver cadernos antigos. Este texto estava por lá.

[Foto: as sobrinhas mais novas]

Diz o público…

Posted in acasos on January 4, 2010 by teresa

Preciosidades

Posted in acasos on January 4, 2010 by teresa

“Nenhuma palavra
alcança o mundo, eu sei
Ainda assim,
escrevo”
Mia Couto

[natas, canela
e todos os meus segredos]

it’s relativity, baby

Posted in acasos on December 31, 2009 by teresa

Seis biliões setecentos e noventa e três milhões e duzentas mil pessoas. Seis biliões setecentos e noventa e três milhões e duzentas mil opiniões. Seis biliões setecentos e noventa e três milhões e duzentas mil sensibilidades. Seis biliões setecentos e noventa e três milhões e duzentas mil necessidades. Seis biliões setecentos e noventa e três milhões e duzentas mil expectativas. Seis biliões setecentos e noventa e três milhões e duzentos mil caminhos. Sonhos. Realidades.

Agora, diz-me. O que é que te preocupa?

Reconciliação

Posted in acasos with tags , on December 20, 2009 by teresa

Fartei-me de falar da hipocrisia que é o Natal. Da solidariedade característica apenas desta época do ano. Das pessoas que não vemos nunca e que se lembram de nos dar prendas e de exigir subtilmente outras em troca. Dos quinhentos mil votos de Feliz Natal que recebemos de pessoas que, se for preciso, passamos por elas na rua e nem sequer nos dizem “olá”. Do consumismo maluco associado a esta altura. Dos jantares que se multiplicam. Da “alegria, paz e harmonia” obrigatórias.

Não quero saber de nada disso. Se precisamos do Natal para nos lembrarmos de ajudar os outros, a culpa só pode ser nossa. Devemos antes dizer “Ainda bem que há o Natal”, porque aquilo que se consegue nesta altura é precioso. Sou tão distraída e ocupada e sei lá que mais que deixo passar com uma pinta tal as tais “prendas sociais”. E sim, gosto mesmo de procurar algo que agrade àqueles que me interessam. E gosto de estar com eles e, por isso, gosto da desculpa do Natal. E ignoro também a “Alegria, Paz e Harmonia” natalícias da mesma maneira que ignoro outras hipocrisias o resto do ano.

É isso. O Natal não é pior do que o resto do ano. E, ainda por cima, é feriado e há os doces. Ai, os doces. Reconciliei-me com o Natal.

(in)evitabilidades

Posted in acasos with tags , on December 8, 2009 by teresa

Os dias passam. Fazemos planos para amanhã, para quando pudermos, para quando estivermos com menos trabalho, para quando estivermos para aí virados. Hoje queremos aproveitar aquele bocadinho para estar sozinhos, ou então nem sequer parámos.

Os dias passam e os nossos amigos que vivem a cinco, seis estações de metro de nós é como se vivessem noutro país, tão difícil que é conjugar todos os imprevistos que amaldiçoam a nossa vida e a deles. Esta semana não deu para ver a família, afinal já passou um mês. Ontem não consegui ligar-te e dizer-te “olá, como estás?”. Queria tanto dizer-te “olá, como estás?” mas não consegui porque não tive tempo, porque quando me lembrei não dava jeito e quando dava jeito não me lembrei.

Os dias passam e a nossa agenda imaginária vai-se enchendo de coisas para fazer a um ritmo tal que todos os dias daria para acrescentar tantas páginas novas. E os dias que passaram que se vão tornando cada vez mais iguais.

Os dias passam e quando voltamos a ouvir falar desses amigos de repente eles já têm filhos, já casaram, já se mudaram de cidade três vezes antes de voltarem para cá. E o número, que continuou sempre o mesmo.

Os dias passam e nós apesar de tudo somos cada vez mais mestres do tempo, contabilizando horas extraordinárias, tempos que perdemos nos transportes públicos, dias de férias, horas ganhas com as novas tecnologias ou perdidas por causa delas, prazos expirados, conversas fora do seu tempo, minutos desperdiçados nas filas da vida.

Os dias passam e nós vamos passando por eles, à espera que algo aconteça. Talvez amanhã seja o dia. Talvez amanhã te diga o que sinto por ti. Talvez amanhã te ligue e vamos beber o tal café. Talvez amanhã me inscreva naquele curso. Talvez amanhã me lembre de marcar a consulta. Amanhã vamos falar e resolver o que temos para resolver. Não quero que fique nada pendente.

Mas hoje é impossível.

Já alguma vez..

Posted in acasos on December 6, 2009 by teresa

…foram a um sítio e voltaram com a sensação de que não chegaram a estar lá?

Auxiliares de Memória

Posted in acasos with tags , , , on November 13, 2009 by teresa

Depois do post sobre as memórias que guardamos, nada melhor do que um sobre os auxiliares de memória. Estava à procura de uns contactos na minha carteira, onde se vão acumulando todo o tipo de papéis, e encontrei uma factura de uma garagem, com a data de Julho de 2008, onde escrevi:

“Someday you’ll find the right person, Mari, and you’ll learn to have a lot more confidence in yourself. That’s also what I think. So don’t settle for anything less. In this world there are things you can do alone, and things you can only do with somebody else. It’s important to combine the two in just the right amount. (p. 167)”

Calculo que o livro seja este. Decidi partilhar, primeiro para mostrar que apesar de não me conseguir lembrar de todas as frases que gosto, às vezes arranjo maneira de me ir lembrando delas, segundo porque sim. ;)

Memórias

Posted in acasos with tags , on November 9, 2009 by teresa

Pormenor Muro - Agosto 2009

Tinha quatro anos na altura. Mas lembro-me da situação. É, digamos, a minha primeira “memória histórica”, se é que esse termo existe. Não sabia o que se passava, claro. Tenho só uma imagem gravada na cabeça, de estar na sala com o meu pai e os meus irmãos a ver televisão e de estarem a comentar as imagens de umas pessoas a partirem um muro. Possível? Não sei. Mas lembro-me. Lembro-me da excitação que havia no ar. Não sei dizer se era de alegria ou surpresa ou mesmo de medo por não saber o que se seguiria àquela noite, não sei dizer o que é que se comentava, não sei dizer mesmo mais nada. É só aquela imagem e o sentimento de estar a presenciar algo “importante”.

Queria lembrar-me da minha avó materna, que conheci só até aos dois anos, mas não me lembro. Queria saber porque não me lembro também de Tiananmen, que foi uns meses antes da queda do Muro de Berlim, e que foi muito mais sentido em Macau, onde vivia na altura. Queria conseguir guardar para mim todos os nomes de todos os filmes que vi e adorei, todas as frases bonitas que li, mas não consigo. Queria lembrar-me das caras dos meus amigos de infância, com quem, tenho a certeza, passei horas e horas muito mais divertidas do que aquele momento da queda do muro. Queria lembrar-me sempre de onde pouso as chaves de casa, mas já percebi que estou condenada a andar à procura delas de vez em quando. Às vezes, juro que acabo de tomar banho e nem me lembro de me ter ensaboado ou posto o champô, embora saiba que o fiz. Já cheguei a casa sem me lembrar de como lá fui parar. Já me aconteceu ter conversas que são quase instantaneamente apagadas da minha memória. E tudo isto, garanto, sóbria.

Lembro-me da queda do muro.

Provocações

Posted in acasos with tags on November 3, 2009 by teresa

 

Read me

Gerir emoções. Odiar alguém tão próximo. Como se chega a este ponto? Como é que alguém, ao fim de tanto tempo a confrontar-se com o mesmo erro, não aprende? Seremos todos assim? Seremos todos aquilo que sempre fomos e pouco mais para além disso?

O que é que nos definiu? A nossa natureza? A nossa educação? As nossas experiências? Haverá sempre uma explicação por trás de cada atitude nossa, haverá sempre uma desculpa?

Se assim for, não somos ninguém. Somos apenas máquinas que respondem a certos estímulos, tendo em conta outros que constituem o nosso passado ou o nosso “acumular de estímulos”. Somos criaturas previsíveis, cujas atitudes têm sempre uma explicação, nem sempre visível à primeira vista. Somos todos iguais, com percursos diferentes porque aquilo que rodeia cada um de nós é diferente.

- Tu não sabes aquilo porque eu passei – dizemos, quando alguém não nos compreende. Como se isso bastasse para compreender aquilo que somos, que fazemos, aquilo que mexe connosco.

Tanta coisa por um individualismo que pode ser analisado minuciosamente e reduzido a um conjunto de situações por que este nosso organismo passou. Ele é agressivo porque os pais foram com ele. Os pais são agressivos porque os pais deles também o foram. E assim por diante.

No fundo, acabamos por ser seres estúpidos, abandonados nas mãos de um qualquer acaso que define aquilo que somos.